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Carlos Eduardo Baptista    |   14/09/2025   |   Indústria Metalmecânica - RJ   |  

A China não é um problema temporário

Exclusiva

A principal vantagem hoje oferecida pela China é o preço de seus produtos

No recente congresso do Instituto Aço Brasil, em São Paulo, no final de agosto, um dos temas mais abordados foi a preocupação com os volumes de aço e produtos com grandes conteúdos de aço que estão sendo importados, com estimativas de 6,3 milhões de toneladas de aço diretamente e 6,1 milhões de toneladas de aço indiretamente em produtos como máquinas, equipamentos, carros e outros.

A principal vantagem hoje oferecida pela China é o preço de seus produtos, uma vez que a qualidade dos produtos chineses já é reconhecida como de alto padrão, competindo globalmente com qualquer uma das grandes economias. Esses preços praticados, muito abaixo dos preços nacionais e, em alguns casos, até abaixo dos custos da matéria-prima — motivo de questionamento quanto aos subsídios diretos e indiretos patrocinados pelo governo chinês — colocam em risco toda a cadeia de produção industrial brasileira, exigindo, assim, do governo brasileiro medidas protetivas e necessárias à sobrevivência de nossas indústrias.

Mas, independentemente das ações necessárias, urgentes e justas, a China não é um problema temporário. Não serão ações protetivas (aumento dos impostos de importação, ações antidumping, etc.), focais em determinados produtos, que formarão a solução contra os produtos chineses — até porque, na análise geopolítica do momento, é com a China que o Brasil mais se identifica comercialmente.

Desde a década de 1990, a China implementou seu programa de país/Estado, tendo como base uma política autoritária comunista, seguindo preceitos do marxismo-leninismo e definindo parâmetros e objetivos para seu crescimento sustentado e de longo prazo. Esse programa/planejamento permitiu à China subir de um PIB de US$ 400 bilhões para um PIB de US$ 18,3 trilhões em 2023. O Brasil, no mesmo período, cresceu de US$ 600 bilhões para US$ 2,2 trilhões. Atualmente, a China se posiciona “ainda” como segunda maior economia mundial, sustentada pelo seu regime comunista-capitalista.


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Muito desse sucesso da China deveu-se à perenização de valores pessoais de vida e sobrevivência, com o nacionalismo pulsante de sua população para superar obstáculos como a enorme pobreza, que demandava medidas enérgicas para sua mitigação, e a necessidade de desenvolvimento econômico, enfatizando o papel primordial da ciência, da tecnologia e da educação.

Algumas premissas, que pelo regime autoritário (cabe aqui um parêntese para definir regimes autoritários, já que regimes autoritários podem ser para o bem do povo e do país ou somente para os interesses pessoais de seus mandatários), puderam ser definidas e implementadas com sucesso para o bem do povo e do país em um período tão curto. Premissas essas que não são exclusivas desse regime autoritário e podem ser “copiadas” por quaisquer outros países de regimes democráticos.

1 - A relação entre ciência, tecnologia, educação e desenvolvimento econômico
“Uma economia atrasada não é desculpa para não investir em educação. É precisamente porque a economia está subdesenvolvida que a motivação e a pressão para melhorar devem ser maiores.”

2 - Superar a pobreza
“A pobreza não é algo a ser temido; deveríamos estar mais alertas contra a falta de força de vontade. Se tudo o que fazemos é desejar que os que estão acima de nós nos salvem e reclamar das injustiças da vida, como poderemos eliminar a pobreza?”
“Projetos de curto prazo com resultados rápidos podem ser ótimos para aliviar a pobreza, mas não podemos nos contentar com eles e só nos concentrar no curto prazo. É preciso fazer avanços econômicos, sociais e ambientais, ou jamais sairemos da pobreza e do atraso.”

3 - Lidar corretamente com a relação entre aumento de receita fiscal e vitalidade das empresas
“Vitalidade às empresas não é clamar por redução de impostos, assim como aumentar a receita fiscal não é extraí-la das empresas. Fortalecer a vitalidade e aumentar a receita fiscal devem ser os dois lados da mesma moeda. Portanto, do ponto de vista fiscal, é imprescindível deixar que as empresas prosperem, porque o tesouro público seguirá sendo abastecido; e, do ponto de vista empresarial, o objetivo deve ser administrar bem os negócios, melhorar a produtividade e obter bons lucros.”

A China de hoje continua à frente do seu tempo, para garantia de seu futuro.

Na transição energética, com a construção de mais uma gigantesca hidrelétrica no Rio Yarlung Tsangpo, a Medog Hydropower Station terá capacidade instalada estimada em 60 gigawatts (GW), superando em quase três vezes a icônica Usina de Três Gargantas, até então a maior do mundo (quatro vezes maior que Itaipu). A usina será capaz de gerar cerca de 300 bilhões de kWh por ano, o suficiente para abastecer dezenas de milhões de residências e reforçar a matriz energética limpa da China.

Também acrescentou a mais nova “fazenda” de energia solar em área de 610 km², com capacidade de 212 GW e potencial para atender até 5 milhões de casas, registrando queda de 1% nas emissões de carbono, superando toda a capacidade instalada dos Estados Unidos, hoje em 178 GW.

E segue nas melhorias das condições sociais e salariais do trabalhador para incrementar seu crescimento interno e o continuado desenvolvimento tecnológico, a fim de manter-se à frente do novo mundo desglobalizado.

*Imagem de capa: Depositphotos.com

O conteúdo e a opinião expressa neste artigo não representam a opinião do Grupo CIMM e são de responsabilidade do autor.
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Carlos Eduardo Baptista

Presidente do CEM Rio

Indústria Metalmecânica - RJ

CEM RIO – CENTRO EMPRESARIAL DAS INDÚSTRIAS METALÚRGICAS DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO

O SINMETAL – Sindicato das Indústrias Metalúrgicas no Município do Rio de Janeiro foi fundado em 09 de setembro de 1937. Sua História é de glórias! Apesar das várias transformações vividas ao longo de sua existência, pode-se afirmar, pela leitura de seus arquivos, que é verdadeira fonte da História Industrial Brasileira e até hoje, mesmo diante dos momentos mais difíceis, das crises econômicas, políticas e sociais que o Brasil e o Rio de Janeiro sofreram, nestes 86 anos de sua existência, os princípios que nortearam a Entidade sempre foram os da transparência, da ética e de muita luta em busca de uma economia estável, da geração de renda e emprego, do crescimento industrial, do bem-estar social e do fortalecimento das empresas, independentemente do seu tamanho, faturamento ou condição econômica.

Em 2021 o SINMETAL criou o CEM RIO, um Comitê Empresarial referência para interação dos negócios no Rio de Janeiro, agindo como um fórum de discussões, sugestões e busca de soluções para o segmento.

Em 2022, o Comitê passou a ser considerado como um Centro Empresarial e o nome CEM RIO – CENTRO EMPRESARIAL DAS INDÚSTRIAS METALÚRGICAS DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO foi aprovado para constar do Estatuto da Entidade como seu nome de marca. Na prática, portanto, será conhecido como CEM RIO e dele poderão participar empresas metalúrgicas e outras que exerçam atividades afins ou com interesses similares, que desejarem participar do CEM RIO.

Assim todas as atividades sociais serão conduzidas pelo CEM RIO, um nome que nasceu forte, um Centro que reúne empresários com o objetivo principal de fortalecer as micros, pequenas, médias e grandes empresas.