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por Alan Ribeiro    |   08/10/2026

Máquinas paradas custam caro: o desperdício invisível que empresas ainda não conseguem enxergar

Em uma operação, existe um custo que muitas empresas acompanham pouco, justamente porque ele não aparece de maneira evidente em uma nota fiscal: o custo de manter um ativo parado ou subutilizado. Levando para o mundo real, o veículo pode estar no pátio, aguardando uma nova demanda; pode estar estacionado em uma obra; pode passar horas com o motor ligado sem produzir deslocamento; pode estar indisponível por manutenção; ou simplesmente pode existir na frota porque a empresa prefere manter capacidade sobrando para evitar uma eventual falta de veículos.

Em todos esses casos, há uma pergunta que deveria fazer parte da gestão e muitas vezes não faz: quanto custa manter uma máquina disponível quando ela não está efetivamente produzindo? A discussão ganhou relevância à medida que empresas passaram a buscar eficiência em operações cada vez mais pressionadas por custos

Em meus anos de atuação nesse ecossistema, um dos erros mais comuns na gestão de frotas é associar custo à movimentação, ou seja, se o veículo não rodou, imagina-se que ele não gerou despesa relevante. Mas a maior parte dos custos de uma frota continuam existindo mesmo quando as rodas estão paradas. Financiamento ou depreciação, seguro, impostos, licenciamento, manutenção, pneus, estrutura, gestão e capital investido continuam pesando sobre o negócio.

Para se ter uma ideia, a Verizon Connect estima que um veículo inoperante pode representar um custo de US$488 a US$760 por dia, considerando despesas que continuam existindo durante o período de indisponibilidade. É por isso que o conceito de TCO (Total Cost of Ownership), ou custo total de propriedade, é tão importante.

Reforço que gestores deveriam entender melhor que o que interessa não é apenas quanto custa abastecer ou reparar um veículo, é quanto custa manter aquele ativo disponível em relação ao quanto ele efetivamente entrega para a operação. Um dos levantamentos mais recentes sobre o tema vem da Geotab. No 2026 State of Commercial Transportation Report, a empresa analisou dados de veículos comerciais conectados e identificou que os ativos foram utilizados, em média, durante 186 dias ao longo de 2025 e registraram apenas 3,36 horas de atividade por dia. O estudo estima uma perda de capacidade que varia de 28,5% a 49%, dependendo da referência de jornada utilizada.


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Esse dado é relevante porque revela uma contradição comum nas operações: empresas podem estar mantendo mais capacidade instalada do que efetivamente precisam. A lógica até parece simples, pois ter veículos disponíveis reduz o risco de faltar capacidade quando surge uma demanda inesperada. Mas o problema é que a disponibilidade também tem preço, e, quando a capacidade excedente permanece ociosa durante boa parte do tempo, o que parecia ser uma proteção operacional pode se transformar em capital imobilizado.

Neste momento, quero destacar que há uma diferença importante entre ociosidade e indisponibilidade. Um veículo parado porque não existe demanda é um problema de utilização, um veículo parado porque está em manutenção é um problema de disponibilidade, e um veículo com o motor ligado enquanto permanece estacionado representa outro tipo de desperdício. Misturar tudo em uma única métrica pode esconder justamente onde está o dinheiro que está escapando.

Por isso, fico feliz em ver que a gestão moderna de frotas começa a olhar para indicadores como:

  • horas efetivamente trabalhadas;
  • horas de condução;
  • tempo parado;
  • tempo de motor ligado;
  • dias de utilização;
  • quilometragem;
  • tempo em manutenção;
  • utilização por tipo de ativo;
  • utilização por região;
  • custo por hora produtiva;
  • custo por quilômetro;
  • disponibilidade operacional.

A partir daí, a empresa consegue deixar de perguntar simplesmente “quantos veículos temos?” e passa a perguntar “quanto da capacidade que temos está realmente sendo utilizada?”.

Vale lembrar que o custo invisível também aparece na manutenção, pois ociosidade e utilização inadequada não impactam apenas combustível. Motores, pneus, componentes e sistemas também têm ciclos de manutenção influenciados pela forma como os veículos são utilizados. Ao mesmo tempo, uma frota superdimensionada pode fazer com que determinados ativos permaneçam pouco utilizados enquanto outros sejam submetidos a jornadas muito mais intensas. Esse desequilíbrio é um problema de alocação.

Vou dar um exemplo: uma empresa pode ter dez máquinas disponíveis em determinada região e utilizar intensivamente apenas seis delas, enquanto quatro permanecem praticamente paradas. Sem dados de utilização, a percepção pode ser de que as dez são necessárias, mas com dados, a pergunta muda: será que a operação precisa realmente de dez ativos ou precisa distribuir melhor os seis que já estão trabalhando?

É justamente esse tipo de análise que ferramentas de gestão de ativos vêm tentando tornar mais acessível. Em 2026, a Geotab passou a disponibilizar métricas padronizadas de utilização de ativos, incluindo dias utilizados, horas utilizadas, distância percorrida e divisão entre tempo em marcha lenta e tempo em movimento. A ferramenta também permite identificar ativos subutilizados ou sobrecarregados para apoiar decisões de dimensionamento da frota.

Finalizo destacando que o desperdício mais caro pode ser aquele que ninguém percebe, então questões como uma manutenção que demora mais dois dias; uma máquina que fica subutilizada durante meses; um caminhão que permanece ligado sem produzir; entre outras podem representar uma parcela relevante do custo operacional.

Por isso, reforço aos meus pares: a questão para os gestores de frota já não deveria ser apenas “quanto estamos gastando?”, mas sim “quanto estamos pagando por capacidade que não estamos utilizando?”

A resposta pode revelar um dos maiores espaços de eficiência ainda escondidos dentro das próprias operações. Porque, em uma frota moderna, produtividade não significa apenas colocar mais veículos na rua. Na verdade, significa fazer com que cada ativo disponível entregue o máximo possível de valor durante o tempo em que permanece à disposição da empresa.

E, em um cenário no qual dados, telemetria e inteligência artificial já conseguem mostrar quando, onde e como cada máquina é utilizada, manter ativos improdutivos invisíveis está se tornando cada vez mais uma escolha, e cada vez menos uma inevitabilidade.

*Imagem de capa: Depositphotos.com

O conteúdo e a opinião expressa neste artigo não representam a opinião do Grupo CIMM e são de responsabilidade do autor.

Alan Ribeiro

Perfil do autor

Fundador da GaussFleet, maior plataforma de gestão de máquinas móveis para siderúrgicas e construtoras.