Notícias
Tem feito cada vez mais sentido nos referirmos às usinas como plataformas de bioenergia e biorrefinarias
Quem acompanha o setor sucroenergético tem verificado, nos últimos anos, uma série de transformações e de oportunidades que têm possibilitado o avanço industrial em operações que são essenciais para a economia do país. Avanço este que vai de novos polos produtores à expansão da atividade. E o motivo, a meu ver, está mais relacionado à forma como as usinas passaram a ser vistas, do que apenas ao aumento da capacidade operacional.
Elas continuam produzindo açúcar e etanol, mas também estão gerando bioeletricidade, biogás, biometano, óleo de milho e coprodutos para nutrição animal. Além disso, com a produção do etanol de milho, tem feito cada vez mais sentido nos referirmos a elas como plataformas de
bioenergia e biorrefinarias.
Toda essa movimentação tem sido tema de encontros de mercado. Na edição deste ano da Fenasucro&Agrocana, um dos principais eventos de
bioenergia do mundo realizado anualmente em agosto, em Sertãozinho (SP), reduto das indústrias do setor, os movimentos do segmento ganharam destaque.
É fato que os números também ajudam a dimensionar o processo. No segundo levantamento da safra 2026/27, a Conab estimou 705,2 milhões de toneladas de cana, 42,9 milhões de toneladas de açúcar e 41,9 bilhões de litros de etanol, somando cana e milho. A projeção para o etanol de milho foi de 11,9 bilhões de litros, algo próximo de 28% da oferta nacional. E, com a adoção do E30, o fortalecimento do RenovaBio e o avanço do biometano, cresce a necessidade de integrar melhor o campo, a indústria e a logística, com produtividade e menor intensidade de carbono.
Voltando ao etanol de milho, especificamente, fatores como a produção ao longo do ano — o que reduz a sazonalidade da oferta e aproxima a indústriadas regiões produtoras de grãos — bem como a geração dos DDG/DDGS (sólidos altamente nutritivos provenientes do processo produtivo) voltados para alimentação animal, óleo de milho e, em projetos integrados, energia e biogás, têm proporcionado oportunidades a produtores, distribuidores e demais integrantes da cadeia e contribuído para que a indústria possa ganhar escala, diversificar receitas e usar melhor seus ativos.
Continua depois da publicidade |
E em meio a esse cenário, tem ganhado destaque a região Matopiba, composta pelos estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, devido a duas condições importantes: a expansão da produção de grãos e a distância dos centros tradicionais de produção e o consumo de etanol. O mercado mostra que processar o milho mais perto de onde ele é cultivado pode interiorizar a oferta de biocombustíveis e viabilizar novas biorrefinarias.
Mas, é claro que todo movimento traz desafios e nesta área não é diferente. Para quem atua no fornecimento e distribuição de materiais, a expansão exige preparo, o que inclui estoque técnico, resposta rápida, planejamento das paradas e atenção às especificações.
Sendo assim, uma planta de etanol de milho precisa de soluções para receber e armazenar grãos, moer, fermentar, destilar, gerar vapor, tratar água e efluentes e movimentar coprodutos. E isso é essencial, já que em cada sistema as exigências de pressão, temperatura, resistência, acabamento e rastreabilidade variam.
Resumindo, não basta instalar a planta. As etapas de armazenagem, transporte, biomassa, assistência técnica e suprimento industrial precisam acompanhar esse crescimento. Quando as distâncias são grandes, falhas no fornecimento pesam diretamente na competitividade. No Matopiba, por exemplo, onde uma reposição pode percorrer grandes distâncias, um componente de baixo valor que chega tarde é capaz de interromper uma etapa da operação. É esse tipo de risco que a gestão da complexidade precisa evitar.
E você deve estar se perguntando, qual o nosso papel, como Grupo Açotubo, no mercado sucroenergético? Além de atuar no fornecimento de produtos em aço para a indústria e soluções para o setor, há oito anos investimos no Projeto Qualificar, programa de capacitação de profissionais que atuam nesta área para identificação da qualidade de componentes adquiridos.
A iniciativa é fruto do nosso relacionamento de longa data com as usinas, onde buscamos entender melhor as necessidades dos segmentos que usam nossas soluções, o que também nos aproximou de projetos de cogeração, do RenovaBio e do avanço das plantas de etanol de milho e
outros cereais. E, atualmente, já existem iniciativas industriais que produzem etanol a partir do melaço de soja, coproduto gerado durante o
processamento do grão, demonstrando o avanço da diversificação tecnológica das biorrefinarias.
A partir desse conhecimento, trabalhamos a disponibilidade de materiais, a capilaridade e a capacidade de atender demandas com diferentes graus de complexidade. Em suma, nosso papel tem sido ajudar cada usina a organizar o fornecimento, coordenar prazos e a lidar com menos interfaces.
Com isso, entendemos que preço e portfólio continuam importantes, mas não resolvem tudo. É preciso estar perto, perceber a necessidade antes que ela vire urgência, entregar com confiabilidade e oferecer suporte técnico-comercial. No Matopiba, nossa estrutura comercial, logística e de distribuição nos permite fazer isso de forma mais próxima e acompanhar os projetos desde a especificação até a reposição na operação. Desta forma, temos contribuído para o desenvolvimento deste mercado.
*Imagem de capa: Depositphotos.com
Gostou? Então compartilhe:
Willians Cintra
Derente nacional de produto e inteligência de mercado do Grupo Açotubo.
Fundada em 1974, a Açotubo é uma das principais referências do setor siderúrgico brasileiro, com atuação em todo o território nacional e presença na América Latina. Além de suas unidades de Tubos e Aços, Aços Inoxidáveis e Soluções Integradas, o Grupo conta com um ecossistema de empresas formado pela Incotep, Trialle, Tirreno e Firenze, oferecendo soluções completas para toda a cadeia industrial. Sua presença internacional é reforçada pelas operações da Incotep Peru e da Incotep Colômbia.
O portfólio do Grupo contempla tubos de aço carbono e inoxidável, aços especiais, conexões, válvulas, flanges, chapas, perfis, sistemas de ancoragem, componentes industriais e soluções customizadas de engenharia, processamento e abastecimento industrial. Essa ampla oferta permite atender com excelência setores como agronegócio, mineração, energia, óleo e gás, sucroenergético, construção civil, infraestrutura, saneamento, papel e celulose, máquinas e equipamentos, automotivo e indústria de transformação.
Combinando expertise técnica, inovação, eficiência operacional e foco no cliente, a Açotubo transforma aço em soluções que impulsionam negócios, aumentam a competitividade das indústrias e contribuem para o desenvolvimento sustentável no Brasil e na América Latina.
Faça seu login
Ainda não é cadastrado?
Cadastre-se como Pessoa física ou Empresa
