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por Alejandro Chocolat    |   17/09/2026

Do conceito à circularidade: o caminho mais inteligente para uma produção sustentável

Em vez de perguntar apenas como produzir mais, as empresas precisam perguntar como produzir melhor com menos desperdício

Durante muito tempo, sustentabilidade foi tratada como uma etapa adicional dentro da estratégia das empresas. O processo seguia seu caminho básico de desenvolvimento do produto, produção, distribuição e, em algum momento, discutia-se como reduzir os impactos ambientais do percurso. Essa lógica já não funciona.

A pressão por redução de emissões, uso mais eficiente de recursos e diminuição de desperdícios está levando a indústria a rever decisões que começam muito antes da fábrica.  Em vez de perguntar apenas como produzir mais, as empresas precisam perguntar como produzir melhor com menos desperdício, menos retrabalho e melhor aproveitamento de recursos.

O desafio é particularmente importante porque muitas das decisões que determinam o impacto ambiental de um produto são tomadas ainda nas primeiras fases de seu desenvolvimento. E isso exige uma mudança de mentalidade.

A tecnologia tem um papel importante nesse processo, especialmente quando permite testar, simular e avaliar diferentes alternativas antes que recursos sejam consumidos na produção física. Uma mudança estratégica em um projeto pode evitar protótipos desnecessários, reduzir o uso de matéria-prima ou identificar problemas que, se descobertos mais tarde, poderiam gerar perdas significativas.

Essa abordagem também permite enfrentar um importante desafio da indústria: a distância entre os diferentes setores envolvidos no desenvolvimento de um produto. Engenharia, produção, fornecedores, logística e outras áreas frequentemente trabalham com informações e prioridades diferentes. Integrar essas etapas permite identificar problemas mais cedo e avaliar os impactos de uma decisão antes que ela seja implementada. Isso vale para o desenvolvimento de um veículo, uma embalagem, um equipamento industrial ou toda uma nova linha de produção.


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À medida que a indústria se torna mais complexa, poucas empresas controlam todas as etapas de desenvolvimento e produção. Projetos envolvem fornecedores, parceiros e especialistas distribuídos em diferentes regiões e, muitas vezes, em diferentes países. Nesse cenário, compartilhar informações de forma mais eficiente e trabalhar sobre uma visão comum do projeto pode reduzir deslocamentos, acelerar decisões e evitar duplicação de esforços.

A sustentabilidade, nesse contexto, deixa de ser apenas uma meta ambiental. Ela passa a estar diretamente relacionada à eficiência operacional e à competitividade.

Outro ponto importante é a necessidade de considerar o ciclo completo dos produtos. O trabalho não termina quando um item sai da fábrica. É preciso pensar em como ele será utilizado, mantido, reutilizado e, eventualmente, descartado ou reinserido em uma nova cadeia produtiva. Esse movimento acompanha a evolução da economia circular, mas exige mudanças concretas na forma como os produtos são desenvolvidos. Tecnologias como gêmeos virtuais auxiliam a projetar e estimar, ainda nessa etapa questões como reparabilidade, durabilidade, recuperação de materiais e segunda vida.

Para o Brasil, essa discussão tem uma importância particular. O país possui uma base industrial diversificada, grandes cadeias produtivas e uma oportunidade relevante de avançar em modelos de produção mais eficientes. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios conhecidos, como custos operacionais elevados, desperdício de recursos, gargalos logísticos e a necessidade de aumentar a produtividade.

A transição para uma indústria mais sustentável, portanto, não depende apenas de novas fontes de energia ou de metas de redução de carbono. Ela passa também pela capacidade de repensar processos que há décadas são conduzidos da mesma maneira.

A grande oportunidade está em antecipar decisões. Quanto mais cedo uma empresa consegue entender os impactos de suas escolhas, maior é sua capacidade de corrigir rotas antes que materiais, energia, tempo e recursos financeiros sejam consumidos.

Sustentabilidade não deveria ser uma etapa final de validação. Ela precisa fazer parte do processo de decisão desde o início. Para a indústria brasileira, esse pode ser um dos caminhos mais concretos para conciliar produtividade, inovação e responsabilidade ambiental. O futuro da manufatura não será definido apenas pela capacidade de produzir mais, mas pela capacidade de produzir de forma mais inteligente e eficiente.

*Imagem de capa: Depositphotos.com

O conteúdo e a opinião expressa neste artigo não representam a opinião do Grupo CIMM e são de responsabilidade do autor.

Alejandro Chocolat

Perfil do autor

Diretor Geral da Dassault Systèmes na América Latina