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O Brasil manteve a 2ª posição entre as economias mais inovadoras da América Latina e Caribe, segundo o Índice Global de Inovação (IGI) 2026. O país deixou atrás apenas do Chile e segue como o único da região com desempenho em inovação acima do esperado para seu nível de desenvolvimento, condição mantida pelo sexto ano consecutivo. O estudo atribui destaque ao tamanho do mercado brasileiro e a pontos fortes em ciência, empreendedorismo e ativos intangíveis.
Para a indústria, porém, o relatório aponta desafios na transformação desse conhecimento em resultados produtivos em maior escala. O Brasil ocupa a 90ª posição em colaboração em pesquisa e desenvolvimento (P&D) entre universidades e empresas, enquanto o P&D realizado pelo setor privado aparece em 36º lugar.
O diagnóstico converge com temas que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) colocou no centro do documento "Construindo o Brasil 2050: a indústria na agenda dos presidenciáveis". Entre as prioridades apresentadas pela entidade estão inovação e tecnologia, formação de talentos, aumento da produtividade, fortalecimento da política industrial e melhoria do ambiente de negócios, com foco na competitividade e no desenvolvimento produtivo do país.
Na posição global, o Brasil caiu uma colocação e passou a ocupar o 53º lugar entre 139 economias avaliadas pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI). Ainda assim, o estudo coloca o país ao lado de Arábia Saudita, Catar, Maurício, Jordânia e Bahrein entre as economias atualmente posicionadas no top 70 do ranking que mais avançaram desde 2019.
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Outro destaque é o desempenho nos resultados de inovação, superior ao registrado nos insumos dessa área. O país está na 50ª posição em outputs, mesma colocação de 2025, enquanto aparece em 66º lugar em inputs, ante o 63º no ano passado.
Na prática, o Brasil está mais bem colocado nos indicadores que medem os resultados gerados pela inovação, como conhecimento, tecnologia e resultados criativos, do que naqueles que avaliam as condições para inovar, como instituições, capital humano e pesquisa, infraestrutura, sofisticação de mercado e empresarial.
O relatório destaca que o Brasil reúne a base de ciência e pesquisa e desenvolvimento (P&D) mais ampla da América Latina, combinada a pontos fortes em marcas e operações de venture capital em estágio avançado. Segundo a OMPI, esse ecossistema é ancorado por São Paulo, único cluster brasileiro entre os 100 principais polos de inovação do mundo.
Na categoria de sofisticação empresarial, o país ocupa a 42ª posição, resultado melhor do que sua colocação geral no ranking. O indicador considera a capacidade de empresas e demais agentes do setor produtivo de gerar, absorver e aplicar conhecimento e tecnologia.
Os dados mostram, contudo, que essa base científica ainda não se traduz com a mesma intensidade em articulação entre pesquisa e setor produtivo. Além da 90ª posição em colaboração em P&D entre universidades e empresas, o relatório aponta a necessidade de fortalecer as conexões entre pesquisa, empresas e mercados para ampliar a conversão de conhecimento em inovação e ganhos de produtividade.
O Brasil também é o único da América Latina e Caribe com gastos em P&D superiores a 1% do Produto Interno Bruto (PIB). Por outro lado, a OMPI identifica fragilidades: o ambiente de negócios aparece em 129º lugar, enquanto o país ocupa a 101ª posição na proporção de formados em ciência e engenharia e a 94ª em crescimento da produtividade do trabalho.
Segundo o relatório, o desafio é converter os pontos fortes do ecossistema brasileiro em ganhos mais amplos de produtividade, ampliar o P&D realizado pelo setor privado e melhorar a disponibilidade de capital humano para a inovação. A OMPI também aponta limitações nas conexões entre produção de conhecimento, empresas, financiamento, propriedade intelectual e mercados internacionais na América Latina e Caribe.
*Imagem de capa: Depositphotos.com
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